Paulo Jorge Barreto Gonçalves Moreira (Quelimane, Moçambique, 7 de Maio de 1962 - 3 de Maio de 2026) foi um actor, poeta, encenador, professor e editor português.

Biografia Paulo Moreira nasceu em Quelimane, na província de Moçambique, em 7 de maio de 1962, filho de pais algarvios. Passou os seus primeiros anos entre aquele território, Guiné-Bissau, Angola e o Algarve, principalmente em Faro e Olhão, onde frequentou os estudos secundários. Foi aluno na Universidade de Aveiro entre 1988 e 1995, onde se licenciou em Ensino de Física e Química e concluiu o mestrado em Supervisão da Formação de Professores, e fez a sua pós-graduação na Universidade do Algarve, em Teatro e Educação. Afirmou-se como um autor ainda durante os seus anos de estudante em Aveiro, tendo escrito a música Se eu fosse um Barco de Aveiro, que se tornou um símbolo do movimento académico da região de Aveiro. Exerceu como professor no ensino secundário, em Física e Química e Expressão Dramática. Teve um papel de relevo no desenvolvimento cultural da região do Algarve, com uma carreira multifacetada, tendo exercido como actor, encenador e editor, nos campos da prosa, poesia, teatro e música. Em 1999 integrou-se na ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, onde participou como actor e encenador, tendo o jornal Barlavento referido que «[habituou] o público a romper as fronteiras do convencional em palco». Como encenador, criou «uma abordagem própria, centrada na adaptação de textos e na sua aproximação ao contexto português». Segundo o jornal Barlavento, uma das suas intervenções mais destacadas foi a peça O Coração de um Homem, que levou ao palco em Abril de 2007, baseada na obra O Coração de um Pugilista, do dramaturgo alemão Lutz Hübner, onde «tratou de forma original um tema que lhe era caro – as relações humanas», com recurso a «algumas opções cénicas pouco ortodoxas» Também se distinguiu como escritor e declamador em obras de poesia, prosa e teatro. Foi um dos responsáveis pela fundação do colectivo literário algarvio Espúria, e esteve à frente da casa editorial Edições Anónimas, na qual lançou vários trabalhos seus e de outros autores, nomeadamente Luís Ene, Marco Mackaaij, Luísa Demétrio Raposo e Rosa Vieira Guedes. Entre os seus livros contam-se 2 Santas em 1⁄2 hora (2011), Maria Manuel (2013), Pessoa(s) em Cena (2014), Já Bocage Não Sou (2014), Curt’osContos (2015), Maternidade (2017), Canções (2019), dispersos (2021), Berlim em transe (2022) e Do Mundo e do Sexo (2023). Os seus trabalhos foram igualmente publicados em várias antologias e obras colectivas, como a I Antologia de Escritores de Albufeira, 7 Contos Ilustr.s, Azulejo vestido com centáureas - Azulejo chabrem ubrane, Tapa-Esteiro, Slash Forward e a Antologia I Encuentro Hispanoluso de Literatura, Música, Pintura y todo lo demás... Al Sur..., en lamarisma. Escreveu igualmente para um grande número de publicações periódicas, incluindo jornais, revistas especializadas e agendas municipais, sobre uma vasta gama de temas, como literatura, música, ciência, teatro e cinema. Por exemplo, foi o autor de textos sobre Stanley Kubrick e Mozart, e a música do Barco de Aveiro. Várias das suas obras foram distinguidas com prémios literários. Faleceu em 3 de Maio de 2026, aos 63 anos. Na sequência da sua morte, a Câmara Municipal de Faro emitiu uma nota de pesar, onde recordou o seu contributo para a cultura no Algarve, tendo-o considerado como uma «figura marcante na vida cultural da região», devido aos «seus contributos no teatro e na literatura, bem como pela sua dedicação à criação artística». Num artigo publicado no jornal O Cidadão, o professor José Paulo Santos realçou a forma como Paulo Moreira «deixou uma marca indelével na vida académica e cultural da cidade» ao ter criado «uma das mais belas canções dedicadas a Aveiro».

Referências