Praticamente empatados nas pesquisas, candidatos travam disputa acirrada pela presidência

0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x
00:00
00:00
Flavio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) — Foto: Divulgação
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final das Eleições 2026 praticamente empatados nas pesquisas, mas com desafios diferentes no mapa eleitoral. Enquanto o atual presidente precisa avançar sobretudo no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do país, o senador tenta reduzir a vantagem petista no Nordeste e preservar a dianteira conquistada no primeiro turno.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, ante 53,9 milhões, ou 45,16%, de Lula. A vantagem foi de 2,225 milhões de votos. Lula conquistou 12 Unidades da Federação, enquanto Flávio saiu na frente em 15. Minas Gerais e Tocantins foram as duas UFs que migraram do petista para o PL entre 2022 e 2026.
"Os mapas de mudança da votação primeiro turno mostram que houve uma uma piora praticamente generalizada da votação do Lula em relação a 2022. Em contrapartida, houve uma melhora mais ou menos generalizada também da votação do Flávio em relação a Jair Bolsonaro em 2022. Os dados mostram também que essa mudança foi um pouco mais acentuada no caso de municípios pequenos", afirma Ricardo Ribeiro, cientista político e analista da 4Intelligence.
A retração de Lula no primeiro turno foi territorialmente mais disseminada e proporcionalmente mais intensa nas pequenas cidades e no interior. Nos municípios com até 5 mil habitantes, sua participação nos votos válidos caiu 7,2 pontos em relação a 2022, ante recuo de 1,1 ponto nas cidades com mais de 500 mil moradores.
Em volume de votos, porém, o maior impacto veio dos grandes colégios do Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais. "A combinação que parece mais importante, tanto para o Lula, quanto para o Flávio Bolsonaro, em termos de definição do segundo turno, são as grandes cidades do Sudeste".
"Nas grandes cidades do sudeste, aquelas com mais de 500.000 habitantes eram mais de 1,1 milhão de habitantes, a taxa de abstenção foi de 24%, acima da média nacional. E nessas cidades a votação do Lula e do Flávio Bolsonaro foi muito parecida", afirma Ribeiro.
O cientista político se baseia no artigo “Quatro tópicos sobre a abstenção eleitoral de 2026”, publicado pelo professor titular e pesquisador da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV-CPDOC), Jairo Nicolau.
No estudo, Nicolau destaca que a abstenção é menor no Nordeste (18,4%), região onde Lula tem suas melhores votações, e também no Norte (19,4%). Com isso, o Sudeste (22,7%) e o Centro-Oeste (21,7%) seriam as regiões mais propensas à disputa dos que não foram votar. O Sudeste, sozinho, concentra 15,1 milhões dos 32,9 milhões de eleitores que não foram votar no Brasil (excluindo o exterior).
“A abstenção não prejudicou Lula no primeiro turno: ela ficou estável no país e é menor no Nordeste, onde ele é mais forte. Também não é verdade que os ausentes sejam uma massa homogênea de desinteressados. Há ao menos dois grupos bem distintos: jovens obrigados a votar que não comparecem, e idosos (sobretudo mulheres) de baixa escolaridade, dispensados da obrigação, que ficam em casa”, escreve o professor da FGV em seu artigo.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais importante do que ganhar o Sudeste é perder por menos. No primeiro turno, em São Paulo, Flávio Bolsonaro teve 51,9%, contra 38,2% de Lula; no Rio de Janeiro, 53,0% a 39,4% e em Minas Gerais, 48,2% a 43,3%. “O Lula tem mais chance de reverter a situação nas grandes cidades do Sudeste. Acho que esse é o campo mais explorável para Lula", diz Ribeiro.
Nesse sentido, São Paulo oferece o maior volume potencial de votos, mas também uma desvantagem difícil de reverter. Já o Rio de Janeiro combina grande eleitorado com forte vantagem de Flávio, exigindo ao menos alguma contenção de perdas da campanha petista.
Minas Gerais é o terreno mais competitivo e, portanto, o lugar onde um avanço relativamente pequeno pode produzir uma diferença relevante. Além disso, vale destacar que desde a redemocratização, todos os candidatos que foram vitoriosos no estado mineiro levaram a disputa nacional. No entanto, o analista da 4Intelligence aponta que nesta eleição o estado acabou destoando um pouco da disputa nacional.
"A diferença a nível nacional foi de dois pontos e, em Minas, foi de cinco. Então, foi um pouco mais divergente. Em outras eleições a diferença era realmente pequena, entre Minas e a situação nacional. Pode ser que haja algum descolamento desta vez”, afirma Ribeiro.
De acordo com o artigo do professor Jairo Nicolau, há uma célula que chama a atenção, as cinco maiores cidades do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas. O estudo destaca que nestes municípios ficou em casa o maior número de eleitores do país 4,3 milhões, o que rendeu uma taxa de abstenção de 24%.
Além disso, são nestes territórios onde a disputa está mais equilibrada, com 43% para Flávio e 42% para Lula. “Nenhum outro lugar do país combina alta abstenção com um eleitorado tão dividido”, escreve Nicolau.
Já no Nordeste, o desafio de Lula não é apenas manter a liderança, mas extrair uma vantagem suficientemente grande para compensar as perdas no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste. No primeiro turno, o petista obteve 63,8% na região, contra 30,9% de Flávio Bolsonaro. Bahia, Pernambuco e Ceará são especialmente importantes pelo tamanho do eleitorado. Piauí, Maranhão e Paraíba entregaram margens maiores, mas têm peso nacional menor.
Na região, o principal caminho de Flávio Bolsonaro é inverso ao de Lula. O candidato não precisa vencer no Nordeste, mas reduzir a desvantagem nos Estados mais populosos. No primeiro turno, o senador teve 28,5% na Bahia, 31,3% no Ceará, 31,0% em Pernambuco e 30,9% no Maranhão. No caso, uma melhora de poucos pontos nesses Estados teria impacto nacional relevante.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro teve vantagens expressivas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Considerando a região Sul, o senador terminou o primeiro turno com 60,1%, contra 31,3% de Lula. Nesta região, portanto, o desafio do candidato do PL não é apenas crescer, mas evitar qualquer erosão, pois foram os territórios que sustentaram sua liderança nacional.
Mais recente Próxima Flávio e Lula disputam voto a voto; relembre como foi a reta final
Suas buscas no Google agora podem ter mais Valor.
Ponha o jornal entre suas fontes preferidas.
SAIBA COMO


