Belo Horizonte — A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, voltou ao trabalho em 8 de outubro, após 420 dias de afastamento por sucessivas licenças médicas.Ela estava afastada desde 13 de agosto de 2025, dois dias após o assassinato do gari. A informação sobre o retorno foi confirmada pela PCMG nesta quinta-feira (15/10).O documento publicado no Diário Oficial informa a concessão de ajustamento funcional à delegada pelo prazo de 90 dias, conforme avaliação da Diretoria de Perícias da Polícia Civil. Leia também Minas GeraisMulher de réu por matar gari, delegada de MG chega a 420 dias afastada Minas GeraisDelegada casada com homem que matou gari em BH tem 7ª licença médica Minas GeraisEntenda longa licença médica de delegada casada com homem que matou gari A medida permite que a servidora continue trabalhando, mas com adaptações nas atividades exercidas, de acordo com suas condições de saúde.Segundo a legislação estadual, o ajustamento funcional é concedido após avaliação médica e permite que o servidor exerça atividades compatíveis com eventuais limitações físicas ou mentais, sem mudança de cargo. A medida pode ser temporária ou permanente e busca evitar o agravamento de problemas de saúde.O documento não informa quais atividades a delegada poderá exercer nem quais restrições foram estabelecidas.Relembre o casoLaudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte.Segundo as investigações, o empresário René, marido de Ana Paula, teria se irritado porque o caminhão de lixo impedia a passagem de seu carro. Após uma discussão com a motorista, ele teria descido armado, ameaçado uma trabalhadora e atirado contra Laudemir.O gari foi socorrido, mas morreu. René foi preso horas depois e posteriormente se tornou réu pelo crime.Ana Paula chegou a ser indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime que matou Laudemir. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), porém, não apresentou denúncia contra ela e propôs um acordo de não persecução penal.O MPMG também pediu que a Justiça avaliasse o pagamento de uma indenização de pelo menos R$ 150 mil à família do gari. A Polícia Civil informou anteriormente que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo a delegada seguia em tramitação na Corregedoria-Geral da corporação.







