Andreza Matais

Em sessão sigilosa, conselho arquivou processo contra magistrado acusado pelo MP de beneficiar cliente de irmã de ministro Kassio Nunes

Andreza Matais
14/10/2026 15:18, atualizado 14/10/2026 15:20
Breno Esaki/Metrópoles
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) arquivou processo envolvendo um cliente da irmã do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
Por nove votos, o CNJ livrou o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto de punição. Os demais seis conselheiros ainda não votaram.
Segundo a Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), houve “manipulação” na distribuição para que o processo fosse direcionado à Vara comandada por Catta Preta.
O tribunal reconheceu a manipulação, mas não puniu o magistrado. O Ministério Público recorreu ao CNJ, que arquivou o caso na última semana.
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Como a votação ocorre sob sigilo, não é possível conhecer os argumentos apresentados por cada conselheiro. Todos os julgamento envolvendo processo disciplinar contra juízes são sigilosos.
Já votaram pelo arquivamento:
Jaceguara Dantas da Silva
Kátia Magalhães Arruda
Rodrigo Badaró
Daiane Nogueira de Lira
Ilan Presser
Fabio Francisco Esteves
Marcello Terto e Silva
Noemia Porto
Paulo Régis Machado Botelho
Entenda a disputa comercial
A disputa envolve o controle da Imcopa, uma das maiores processadoras de soja do país. De um lado está Walter Faria (que contratou a irmã do ministro Kassio Nunes para atuar no processo); do outro, a gestora RC2, dos investidores Renato Mazzuchelli e Ruy del Gaiso, antigos parceiros do empresário na recuperação judicial da companhia.
A defesa de Faria alega que não houve manipulação para o processo cair no gabinete de Catta Preta e acusa os investidores de tentar reverter o julgamento da ação favorável a ele.
A RC2 recorreu da decisão de Catta Preta e o caso está hoje no gabinete do desembargador Gustavo Amorim.
Sobre a decisão do CNJ, como se trata de processo disciplinar, não cabe recurso.


